A tal bio.

Muito escrevo eu sobre a minha vida para quem tem uma vida tão pouco interessante. Parece-me óbvio que preciso de sair mais.

As bios são sempre um problema. Bastava escrever uma, não era? Mas de cada vez que me pedem uma pequena biografia para um livro ou evento em que vá participar, o texto anterior nunca me parece adequado. Ou está demasiado sério, ou demasiado longo, ou demasiado irrelevante, ou demasiado condescendente.

A auto-promoção necessária para sobreviver como freelancer tem muitas rasteiras. É fácil escorregar na falsa modéstia ou aterrar no exibicionismo. A objectividade é complicada, mas há que tentar.

A minha última tentativa  está aqui, e é uma versão encurtada do testamento pretensioso que escrevi da última vez. Seguirá o seu destino na companhia da imagem acima, um même que pede aos artistas que se retratem com os conteúdos da sua mala e com uma lista do que se gosta e que se detesta.

E agora vou ali tentar ser um bocadinho menos egocêntrica e já volto.

 

 

Lembrei-me do blog

E assim reanimei o blog. E, para justificar a procrastinação relatada, vou mesmo escrever todos os dias.

Escrever é como desenhar: ou se pratica frequentemente, ou se deixa a ferrugem tomar conta da máquina. E se bem que o cartoon dos Quarenta! é um exercício diário para as duas actividades, de cada vez que tento escrever algo mais longo, demoro, hesito, recuo e, invariavelmente, invento qualquer coisa melhor para fazer.

Resuscitar o blog é assim uma espécie de regresso ao ginásio. Não se sabe quanto tempo vai durar, mas é melhor do que nada. Até as falsas partidas contam para alguma coisa. 3… 2… 1… Go!

Janeirite

Cá estou eu com a pica do ano novo, a achar que é desta que passo a escrever mais no blogue, entre todas as outras ilusões mascaradas de resoluções. Que vou perder peso e ser mais activa, que vou ser ser mais organizada, mais poupada, mais criativa, mais produtiva, enfim, que vou ser melhor pessoa por dentro e por fora. É desta que me vou transformar. 2015 é o ano mágico!2015

Ser possível, até é. Provável? Hummmm…

Mas deixem-me ser assim, que consigo fazer muita coisa nestes dias em que sou afectada pela Janeirite. Pode ser que dure uma semana, pode ser que dure um mês, pode até ser que algum bom hábito cole. Mais vale aproveitar, é melhor que nada.

 

 

 

Medalha de ouro

Carlos Lopes

As férias grandes da minha infância foram todas passadas na Casa da Praia, uma vivenda alugada na Praia da Areia Branca. Dias felizes com o irmão, os pais e os avós por perto, em que íamos à praia, andávamos de bicicleta, brincávamos com os miúdos da vizinhança, mascarávamo-nos com as roupas velhas do baú da D. Júlia, pintávamos a manta com uma liberdade que hoje já não temos coragem de dar aos putos.

A 12 de Agosto de 1984, há exactamente 30 anos, o meu pai passou o dia inteiro na pesca, sem se lembrar dos seus 12 anos de casado. Amuada, a minha mãe ficou na sala a ver os jogos olímpicos pela noite dentro.

Deviam ser umas quatro ou cinco da manhã quando nos foi acordar. O Carlos Lopes estava prestes a ganhar a maratona em Los Angeles.

Uma das memórias mais antigas que possuo, a imagem dessa noite ficou permanentemente gravada na minha cabeça, com todos os pormenores. Se um dia chegar a velha, hei de esquecer-me de onde larguei os óculos, ou do que comi na véspera, mas ainda me lembrarei daquele momento fantástico.

Tinha 7 anos, a mesma idade que a minha sobrinha tem agora, era igualmente irrequieta e tagarela e estava numa excitação sem igual. O melhor que me podia acontecer era estar acordada fora de horas, e tudo aquilo me parecia épico. A Mãe e a Avó Lena e eu, agarradas à televisão, assistíamos em directo ao que nos parecia, na altura, um pequeno milagre: um português a ganhar uma maratona — a Maratona — do outro lado do mundo, onde ainda era de dia. A nossa bandeira nas mãos de Carlos Lopes, que continuava a correr apesar de já ter cortado a meta. Que emoção!

30 anos depois, o meu pai nunca mais se esqueceu do aniversário do casamento. Porque a minha mãe faz questão de falar na data todos os anos, com dias de antecedência, para evitar dissabores. Segredos de um casamento feliz com 42 anos.

Parabéns, meus queridos.

Orlando e Teresa( A foto é de 71, um ano antes de se casarem.)

 

Ainda aqui estou

A empresa de alojamento deste domínio enviou-me hoje um email a perguntar se o queria renovar. Claro que renovei, não consigo deitar coisas fora. Mesmo quando já não as uso há mais de ano e meio.

Passei o fim de semana em sérias arrumações aqui no atelier, que mais parecia uma daquelas casas de hoarders, dos que aparecem no TLC. Foi justamente a ver um desses episódios que percebi que tinha de fazer qualquer coisa com urgência, antes que os meus amigos e familiares precisassem de fazer uma intervenção.

Deitei fora infinita papelada, organizei quilos de tralha, remexi em caixas há séculos esquecidas. Incapaz de deitar fora coisas perfeitamente boas, anoto mentalmente onde ficaram de novo arrumadas e prometo-me que as vou voltar a usar. O uso justifica o espaço que ocupam. O uso desculpa-me a acumulação.

Hoje renovei este domínio, e cá estou eu a dar-lhe uso para que não seja em vão. Tenciono dar-lhe uma volta ao design, e soltar as palavras, ganhar ritmo, escrever, escrever, escrever. Que bem me faz escrever.

Ah, segundas-feiras! Tão bonitas e cheias de intenções!

Oddity

highlands

E lá está. Vem o ano novo e fico logo com ganas de começar coisas novas. Não são bem resoluções, que essas começo sempre assim que me lembro delas, sem esperar pelo dia 1 de Janeiro, que é um péssimo dia para iniciar dietas, poupanças, arrumações, exercício, e coisas que tais.

Em 2010, um destes projectos vingou. Para o daily metro sketch, eu tirava fotografias clandestinas do passageiro de metro à minha frente no caminho para o estúdio, e depois desenhava-o à vista a partir da imagem. Era um exercício bastante demorado e, por isso, assim que o trabalho apertou, foi colocado em stand by.

Este ano vou simplificar as coisas. O meu exercício diário vai ser algo rápido e descomprometido, que já faço com alguma regularidade, mas que nunca viu a luz do dia.

Não sou grande fotógrafa, nem tenho pretensões de o ser, mas sou uma fotógrafa compulsiva. Para mim a fotografia é um modo de me relacionar visualmente com o que me rodeia, de contrariar a tendência que tenho para me alhear de tudo e de me obrigar a tomar atenção e não passar ao lado de coisas interessantes por causa da minha constante distracção.

Guardo todas as fotografias que tiro, boas ou más, e estão meticulosamente organizadas numa drive externa, sempre acessível. De cada vez que lá mergulho com a desculpa de procurar uma imagem específica para usar, acabo por me perder na nostalgia das imagens antigas. É uma espécie de diário, com viagens, festas, passeios, encontros, momentos, sítios, pessoas, muitas que já nem fazem parte da minha vida, ou que estão apenas diferentes.

Ocasionalmente, pego numa dessas imagens e brinco com ela no photoshop. Experimento filtros, mudo as tonalidades, a saturação, o contraste, sobreponho, desconstruo, escortanho, restauro, elimino. Posso estar horas com a mesma imagem, de resultado em resultado, sem nunca gravar ou usar a imagem final. É apenas um aquecimento, um exercício sem objectivo nenhum que não seja o explorar a minha  principal ferramenta de trabalho, o photoshop, ou eliminar um eventual bloqueio criativo.

redondo

A partir de hoje será assim: fazer do exercício um workout diário rápido e começar a coleccionar e mostrar o resultado num tumblr. Sem pretensões artísticas, sem grandes conceitos ou reflexões por trás das imagens, sem classificações ou temas. Apenas fotografias escolhidas da minha caixinha digital, isoladas ou combinadas, muito ou pouco editadas, só porque sim, porque me apetece, porque me deu para ali. No fundo é pegar num diário e transformá-lo num outro.

trees

A visitar e seguir em thestarslookverydifferent.tumblr.com

 

Literalmente sem bateria

Twingo sem bateria

Queria começar este post pela seguinte nota: faz-me comichão que se use mal a expressão “literalmente”. (Também me irrita um bocadinho que se encha um texto de aspas para indicar algo em sentido figurado, como se o leitor não fosse suficientemente inteligente para perceber quando alguma coisa não é literal, mas é assunto para outro post).

– Estou literalmente morta de cansaço! – juro que ouvi isto a alguém que não era nem um zombie nem um fantasma. Queridas pessoas que gostam de exagerar, por favor, escolham outro advérbio.

Este pequeno disclaimer é para salientar antes de mais que conheço perfeitamente o significado de “literalmente”, e que desta vez não fiquei sem bateria por deixar as luzes do carro acesas, ou por ter ficado um mês sem lhe pegar – tudo coisas mais que plausíveis para quem me conhece.

Fiquei literalmente sem bateria. Também fiquei literalmente sem auto-rádio. Gatunos!

Literalmente gatunos.

Domingo

Era uma vez um domingo. Manhã passada a fazer uma sobremesa para o almoço em família. Almoço em família. Tarde em casa para escrever um texto atrasado, fazer um esboço para um amigo, um logotipo para outro amigo e acabar um gráfico prometido a uma associação com que colaboro. São 22h30 e ainda não fiz nada disso, e no entanto ainda não saí da frente do computador.

Não foi tudo tempo perdido, por muito que tenha feito refresh nas estatísticas do Café Patita, para ver se já foi listado em mais algum site de food porn. De aquecimento ligado, enrolada em cobertores, cachecóis e gatas (chiça, que está frio!), fui pondo as séries em dia com o iPad a servir de televisão, e aproveitei para explorar alguns recantos interessantes da internet.

E agora faço aqui uma lista das minhas distrações de hoje, para que possam beneficiar – distraír, antes – mais alguém. (Quem estou eu a enganar? Quase ninguém lê este blog que hiberna por temporadas desmesuradas e já partilhei isto tudo no Facebook hoje à tarde. E ninguém ligou. Estou mesmo só a procrastinar mais um bocadinho. É Domingo, bolas!)

Metamundus

Metamundus
Belíssimas ilustrações de moda e de comida a guache/aguarela, com boas fotos de receitas à mistura. Fiquei fascinada com a senhora Meta Wraber. Quando crescer quero ser como ela. Também tropecei nos sites da Camilla Engman e da Keri Smith e gostei do trabalho.

The Animalarium

The Animalarium
Um blogue que colecciona ilustração de animais, organizado em posts temáticos. Este ainda ficou por explorar, merece tempo e irá aos poucos.

Today and Tomorrow

Today and Tomorrow
Uma selecção viciante de artigos interessantes, não tenho coragem de fechar a janela do browser até chegar ao fim de todos os posts. Vai ficar ali a chamar-me para uma pausa de vez em quando. O que é mau. Mas o blogue é muito bom.

Once Upon

Once Upon
Um dos muitos links engraçados que encontrei via Today and Tomorrow, Once Upon é um projecto de Olia Lialina e Dragan Espenshied onde se criaram versões 1997 das redes sociais Google+, YouTube e Facebook. Os mais novos não vão perceber.

e.m-bed.de/d
Ainda via Today and Tomorrow, um video que transcende a sua janela de YouTube, e que através de alguma programação inteligente, controla as janelas do browser para criar um efeito espectacular. Firefox ou Chrome recomendados.

E nenhum Domingo ficaria completo sem um video de gatos. Este é o Tard, o gato mal disposto dos memes do 9gag.

E entre escrever o post, procurar links, distrair-me com o 9gag e o pinterest, tirar as gatas de cima do trackpad e ir à cozinha comer qualquer coisa que que me arrependo logo a seguir, dou por mim em Segunda-feira. Domingo encerrado. Yay! Ao trabalho!

 

Skinny Jeans

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Obrigada, GAP, por perceberem que, mesmo em Paris, onde todas as gajas são elegantes e sofisticadas, nem todas ficam apresentáveis naquelas calças de pernas ultra- finas a que se deu o nome de “skinny”, que fazem os traseiros mais bem nutridos parecerem gigantes e desproporcionados.

Obrigada, GAP, por serem uma das poucas lojas que decidiu não ignorar todas as mulheres com rabiosque um bocadinho mais volumoso, colocando à venda um modelo de calças de ganga confortável, bem proporcionado e que nos fica bem.

E sobretudo, obrigada, GAP, por não terem baptizado esse modelo de “fatty”.

PS. Quando é que abrem uma loja em Lisboa?