Não são os outros.

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Quando decidi começar um blogue novo, em português, resolvi usar deste domínio, que tinha registado inicialmente para o cartoon que se veio a chamar Quinto Esquerdo dos Infernos. “O inferno são os outros” parecia adaptar-se bem ao lado egocêntrico-anti-social-bicho-do-mato de quem se tranca em casa dias a fio, vive e trabalha sozinha por escolha própria, e acha que três gatas são companhia mais do que suficiente. Mas quero aqui pedir desculpa aos “outros”. O inferno não são nada “os outros”, o meu inferno sou eu. Sou eu a única responsável por todas as pequenas catástrofes que me acontecem. Mea culpa. Sou eu a minha pior inimiga. E fosse este blogue apenas sobre as minhas distracções e confusões, ainda assim teria assunto de que escrever diariamente.

Com a desculpa de uma ilustração que tenho de fazer sobre Lisboa, hoje foi dia de sair de casa e apanhar um bocadinho de sol. Friorenta e cautelosa, saí toda encasacada para, assim que pus o pé na rua, descobrir que Março tinha trocado de turno com Julho. Que tarde quente para calcorrear a Baixa Pombalina em viagem de reconhecimento! E que bem que me soube aquela paragem para café com vista para o elevador de Santa Justa, num terraço com uma das mais belas vistas sobre Lisboa: a cafetaria da Pollux, na Rua dos Fanqueiros.

Só quando voltei a casa, cansada e encalorada, é que dei pela falta do pobre casaquito, que tinha ficado abandonado numa cadeira da esplanada. “Ainda me esqueço disto aqui”, tinha eu pensado na altura, mas este dom de vidente que tenho sobre os meus próprios esquecimentos nunca os conseguiu evitar. Infelizmente, se o casaco não parecia importante nesta tarde de fornalha, no bolso do casaco estava algo que me fazia realmente falta: a chave de casa.

Ora, se há quem nunca tenha se tenha esquecido da chave de casa, eu faço-o com uma regularidade impressionante, e por isso tenho sempre planos de contingência. Ao bater com o nariz na porta, lá me arrastei por mais uns quarteirões, até casa do meu irmão, onde reside uma das cópias da minha chave.

Prova que a distracção é uma característica hereditária, a minha segunda tentativa de entrar em casa voltou a falhar miseravelmente. A chave que o Miguel julgava ser a minha, não era. Onde ela está, não faz ideia. Que dois! Ao ver o plano B ir por água abaixo, confesso que comecei a temer pelo plano C, a chave que estava em casa dos meus pais. No entanto, a chave estava segura, e à terceira voltinha por Alvalade lá consegui entrar em casa.

Amanhã, sairei com cuidados redobrados, para não deixar a terceira chave para trás. Mas mesmo assim, não seria desta que chamava os bombeiros. Há uma quarta e quinta chaves espalhadas por aí, que eu já me conheço há muitos anos.

2 Replies to “Não são os outros.”

    1. Liguei logo para lá, mas não me apetecia enfrentar outra vez o metro em hora de ponta. Está guardado à minha espera, chaves e tudo. Ufa.

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