A maldição do Domingo

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Odiar os Domingos é um daqueles clichés incontornáveis. Toda a gente tem alguma coisa contra este dia horrendo, quer seja à conta da ressaca de uma noite de Sábado animada, quer seja porque se aproxima a maldita Segunda feira a um ritmo insuportável.

Como sou freelancer, a minha relação com os dias da semana é radicalmente diferente. Não consigo apreciar as Sextas-feiras como o resto porque o trabalho quase nunca chegou ao fim, se aproveito o Sábado para sair e descansar, sinto-me culpada o tempo todo. Já Domingo… Como todos os outros, também eu desprezo os Domingos com brutal intensidade.

É este o padrão: Tudo aquilo que não consegui acabar até Sexta-feira, fica para acabar no fim-de-semana. No entanto não é feito no Sábado, porque estou estoirada e acabo por sair e deixar tudo para o dia seguinte. Afinal ainda há tempo.

Mas eis que chega Domingo, cheio de sossego e horinhas boas para trabalhar. E a inércia apodera-se de mim, só consigo pensar no quanto tenho de trabalhar, mas arrasto-me pela casa, rego as plantas, arrumo uma prateleira, vejo meio episódio de uma série qualquer pela terceira ou quarta vez, não saio de casa porque tenho de trabalhar, não começo nada porque tenho é de ir trabalhar, vejo o Facebook, reparo que não está ninguém no Facebook, odeio toda a gente porque estão provavelmente a apanhar sol e eu fechada em casa porque tenho de trabalhar, faço almoço, faço jantar, arrumo a louça toda, fotografo as gatas, torturo as gatas, escovo as gatas, falo ao telefone, fico neura por não ter feito nada o dia todo. Escrevo um post.

Não descanso, não produzo, não me divirto. Odeio os Domingos.

E depois, como que por magia, dá-se o efeito Cinderela. É meia noite e ponho-me a trabalhar. Faço uma noitada e começo a semana já cansada. Como é que se quebra este ciclo vicioso?

Dixit

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Há muitos anos atrás, noitadas com jogos de tabuleiro eram frequentes no meu grupo de amigos. Trivial Pursuit, Pictionary, Scrabble e, mais recentemente, Descobridores de Catan tinham sido os jogos mais populares mas, nos últimos tempos, as jogatanas tinham ficado fora de moda.

Este Verão tive um contacto mais profissional com o mundo dos jogos de tabuleiro, quando elaborei com o Nuno Markl um jogo da glória versão Caderneta de Cromos, mas por inacreditável que pareça, ainda nem tive oportunidade de o jogar.

No entanto, ofereceram ao meu irmão um jogo que inevitavelmente nos vai voltar a viciar em jogos de tabuleiro: o Dixit. Apaixonei-me.

O jogo consiste numa colecção de belíssimas ilustrações, todas um pouco surreais e intrigantes, que nos inspiram mil significados. O objectivo do jogo é descrever cada imagem, sem ser tão óbvio que todos acertem, nem tão críptico que todos falhem. Joga com a nossa imaginação, põe à prova o conhecimento que temos do universo dos nossos adversários e é susceptível de provocar contagiosos ataques de riso. Acima de tudo, é de uma simplicidade deliciosa.

Noites de jogos, bem vindas de volta, já tinha saudades!

Não são os outros.

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Quando decidi começar um blogue novo, em português, resolvi usar deste domínio, que tinha registado inicialmente para o cartoon que se veio a chamar Quinto Esquerdo dos Infernos. “O inferno são os outros” parecia adaptar-se bem ao lado egocêntrico-anti-social-bicho-do-mato de quem se tranca em casa dias a fio, vive e trabalha sozinha por escolha própria, e acha que três gatas são companhia mais do que suficiente. Mas quero aqui pedir desculpa aos “outros”. O inferno não são nada “os outros”, o meu inferno sou eu. Sou eu a única responsável por todas as pequenas catástrofes que me acontecem. Mea culpa. Sou eu a minha pior inimiga. E fosse este blogue apenas sobre as minhas distracções e confusões, ainda assim teria assunto de que escrever diariamente.

Com a desculpa de uma ilustração que tenho de fazer sobre Lisboa, hoje foi dia de sair de casa e apanhar um bocadinho de sol. Friorenta e cautelosa, saí toda encasacada para, assim que pus o pé na rua, descobrir que Março tinha trocado de turno com Julho. Que tarde quente para calcorrear a Baixa Pombalina em viagem de reconhecimento! E que bem que me soube aquela paragem para café com vista para o elevador de Santa Justa, num terraço com uma das mais belas vistas sobre Lisboa: a cafetaria da Pollux, na Rua dos Fanqueiros.

Só quando voltei a casa, cansada e encalorada, é que dei pela falta do pobre casaquito, que tinha ficado abandonado numa cadeira da esplanada. “Ainda me esqueço disto aqui”, tinha eu pensado na altura, mas este dom de vidente que tenho sobre os meus próprios esquecimentos nunca os conseguiu evitar. Infelizmente, se o casaco não parecia importante nesta tarde de fornalha, no bolso do casaco estava algo que me fazia realmente falta: a chave de casa.

Ora, se há quem nunca tenha se tenha esquecido da chave de casa, eu faço-o com uma regularidade impressionante, e por isso tenho sempre planos de contingência. Ao bater com o nariz na porta, lá me arrastei por mais uns quarteirões, até casa do meu irmão, onde reside uma das cópias da minha chave.

Prova que a distracção é uma característica hereditária, a minha segunda tentativa de entrar em casa voltou a falhar miseravelmente. A chave que o Miguel julgava ser a minha, não era. Onde ela está, não faz ideia. Que dois! Ao ver o plano B ir por água abaixo, confesso que comecei a temer pelo plano C, a chave que estava em casa dos meus pais. No entanto, a chave estava segura, e à terceira voltinha por Alvalade lá consegui entrar em casa.

Amanhã, sairei com cuidados redobrados, para não deixar a terceira chave para trás. Mas mesmo assim, não seria desta que chamava os bombeiros. Há uma quarta e quinta chaves espalhadas por aí, que eu já me conheço há muitos anos.

Perdidos e achados I

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Tenho um cartão de crédito que só uso para compras online. Mora numa gavetinha, mas passa temporadas ali em cima da secretária, à mão de semear.

Há uns dias precisei dele e não o consigo encontrar. A minha mesa de trabalho ainda é prima afastada do Triângulo das Bermudas.

Visto que nunca o levo para lado nenhum, as hipóteses para o seu paradeiro são as seguintes:

1. Caíu dentro de qualquer coisa, possivelmente o caixote do lixo, ou algum livro que não vou abrir tão cedo. Se alguma vez me voltar a encontrar com ele, há-de ser muito para lá da sua data de validade.

2. Olhei para ele, achei-o desarrumado, e enfiei-o num sítio que me pareceu seguro na altura, e o meu cérebro nem registou que o tinha feito, quanto mais o sítio em questão. Devo encontrá-lo da próxima vez que mudar de casa.

3. As gatas andam no ebay a comprar ratinhos de plástico com pelo falso e rabo de corda. Estarei atenta às suas movimentações e serão apanhadas. Afinal, sei onde elas moram.

4. Está ali, mesmo em frente aos meus olhos, e estou farta de olhar para ele. Vou sentir-me tão estúpida quando o encontrar!

Aceitam-se apostas. Por enquanto, as buscas de salvamento revelaram-se infrutíferas. No entanto, já sei onde se encontram dois cartões do Ikea family, uma fotografia tipo passe de 1997, o cartão de visita daquela pessoa que conheci naquela festa e um cartão Continente dos pequeninos.

Amanhã, começa a fase esóterica das buscas. A Avó Lena ensinou-me a entoar repetidamente “apareça, apareça, o diabo sem cabeça” para achar objectos perdidos. Já a Tia Sofia atava um lenço à perna de uma cadeira.

Alguém me arranja um lenço?

Moral da História

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Era uma vez uma menina muito distraída e desarrumada. Passava a vida a perder papeis importantes e objectos variados, a esquecer-se de aniversários e outras datas, a deixar que a confusão tomasse conta da sua vida.

Também o seu computador padecia desta desarrumação crónica, com ficheiros por todo o lado, aplicações abertas aos montes, janelas de browser a perder de vista. Mas numa coisa, a menina era muito cuidadosa: em fazer vários backups de tudo, tudo, tudo.

Bom, de tudo menos uma coisa em particular: do template do seu site pessoal. Para acelerar o seu trabalho, editava estes ficheiros sempre online, e prometera a si mesma que os gravaria cuidadosamente assim que acabasse o trabalho. Mas como sempre… Esqueceu-se.

Foi assim que o universo, argumentista de pouco talento, decidiu que estava na altura de ensinar uma lição à menina. No World Backup Day fez com que distraísse de mais uma vez e apagasse por engano todo esse trabalho por gravar. Sim, foi precisamente no Dia Mundial do Backup que resolveu destruír infindáveis horas de trabalho com um click. Engraçadinho.

Gostava de poder dizer que a menina aprendeu a sua lição e passou a ter tudo mais organizado, mas tenho muitas dúvidas. Porque a moral da história não é “Meninos, façam backups”.

É “Meninos, façam o que fizerem, o universo vai descobrir o vosso ponto fraco, atacar e ainda se vai rir na vossa cara”.

Catrapum!

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É uma verdade universalmente aceite que eu não consigo estar quietinha a ver televisão sem fazer mais nada. Como todo o mulherio, venho equipada com multi-tasking de origem, mas o meu botão de desligar escangalhou-se.

Acontece que, sem a minha companhia habitual para comentar o Hell’s Kitchen via gtalk, dei comigo a inventar. E diz a experiência que inventar nunca é bom.

O inventar de hoje foi criar um blog novo, onde pudesse debitar as minhas parvoíces sem interferir com o lado profissional. Ora, tentar abrir um blog novo enquanto o Chef Ramsey me distrai com o seu famoso arremesso do peixe cru (It’s RAW!) só podia ter um resultado: Desastre. Épico. Sem dar por nada, apaguei o meu site principal. Todo. Sem undo, sem remédio, pior que tudo, sem backup.

R.I.P. patriciafurtado.net

Quando percebi o disparate que tinha acabado de fazer, o meu coração despedaçou-se. Lá tive de o colar com muito jeitinho, fita-cola e clichés. Há males que vêm por bem. Não há coincidências. Estamos na Primavera, tempo de renovação. O blá-blá-blá costumeiro entre a Patrícia optimista e a Patrícia lixada.

Sim, o site precisava mesmo de uma lipo-sucção. Talvez até de um face-lift e de um peeling também. Mas era preciso mandar abaixo e começar tudo de novo? Chiça, não! Por agora vai ficar a marinar e vou brincando no Facebook e noutros recreios que andam por aí. Quando me passar a telha e tiver um segundo, logo se vê.

Respirei fundo e fui, então, deixar um recadinho para quem bater com o nariz na porta, no sítio onde morava, ainda há pouco, o meu rico site. E teimosa que sou, vim aqui criar o tal blog, ainda com design alheio. Bem vindos à minha tenda, vou acampar aqui por algum tempo.