Perdidos e achados I

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Tenho um cartão de crédito que só uso para compras online. Mora numa gavetinha, mas passa temporadas ali em cima da secretária, à mão de semear.

Há uns dias precisei dele e não o consigo encontrar. A minha mesa de trabalho ainda é prima afastada do Triângulo das Bermudas.

Visto que nunca o levo para lado nenhum, as hipóteses para o seu paradeiro são as seguintes:

1. Caíu dentro de qualquer coisa, possivelmente o caixote do lixo, ou algum livro que não vou abrir tão cedo. Se alguma vez me voltar a encontrar com ele, há-de ser muito para lá da sua data de validade.

2. Olhei para ele, achei-o desarrumado, e enfiei-o num sítio que me pareceu seguro na altura, e o meu cérebro nem registou que o tinha feito, quanto mais o sítio em questão. Devo encontrá-lo da próxima vez que mudar de casa.

3. As gatas andam no ebay a comprar ratinhos de plástico com pelo falso e rabo de corda. Estarei atenta às suas movimentações e serão apanhadas. Afinal, sei onde elas moram.

4. Está ali, mesmo em frente aos meus olhos, e estou farta de olhar para ele. Vou sentir-me tão estúpida quando o encontrar!

Aceitam-se apostas. Por enquanto, as buscas de salvamento revelaram-se infrutíferas. No entanto, já sei onde se encontram dois cartões do Ikea family, uma fotografia tipo passe de 1997, o cartão de visita daquela pessoa que conheci naquela festa e um cartão Continente dos pequeninos.

Amanhã, começa a fase esóterica das buscas. A Avó Lena ensinou-me a entoar repetidamente “apareça, apareça, o diabo sem cabeça” para achar objectos perdidos. Já a Tia Sofia atava um lenço à perna de uma cadeira.

Alguém me arranja um lenço?

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