Terra firme

De há uns tempos para cá só fico verdadeiramente feliz por estar em viagem depois de aterrar. Até lá sou rabugenta ao quadrado, e ainda bem que viajo sozinha, para não me sentir na obrigação de simular uma molécula que seja de simpatia. Sair de casa é um stress, de-que-é que-me-estou-a-esquecer, está-tudo-fechado, ai-as-horas! O aeroporto é um tédio. E depois o avião, aquele mostrengo de metal que, sei bem, é capaz de voar, mas não parece nada. Não ganhei cagaço de voar, mas, com os anos, quando a besta começa a rugir e acelerar, e levanta as patinhas do chão, há um nervosinho que se instala na barriga e me lembra que estou estatisticamente mais próxima de despencar, de cada vez que ando nisto.

Arrastar as malas pelo Metro em hora de ponta, com três paragens, escada acima, escada a baixo, (a ver se me lembro da epopeia quando andar nas compras), também não é agradável, mas quero lá saber! Já estou do outro lado, livre do aperto do avião, onde tudo é exótico e fascinante. Pelo menos tão exótico e fascinante quanto uma cidade europeia que já visitei varias vezes pode ser. E basta esta pequena mudança de ares: a mal encarada ficou para trás e agora sim, estou nas nuvens.

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